segunda-feira, 31 de outubro de 2022

Asteroide quase tão grande como maior arranha-céu da Terra passará no fim do Halloween


Asteroide - Sputnik Brasil, 1920, 31.10.2022
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Um asteroide de centenas de metros em diâmetro se aproxima do nosso planeta, sendo classificado como "potencialmente perigoso" pela agência espacial norte-americana NASA.
Um asteroide "potencialmente perigoso" recém-descoberto passará relativamente perto da Terra na terça-feira (1º), a tempo do Halloween, relata a agência espacial norte-americana NASA.
O 2022 RM4 tem um diâmetro estimado entre 330 e 740 metros, logo abaixo do arranha-céu Burj Khalifa de Dubai, Emirados Árabes Unidos. Com 828 metros de altura, é atualmente a estrutura mais alta do mundo.
A NASA classifica qualquer corpo celeste até 193 milhões de quilômetros da Terra como um "objeto próximo" e qualquer corpo grande a não mais de 7,5 milhões de quilômetros de nosso planeta como "potencialmente perigoso".
Asteroide (imagem referencial) - Sputnik Brasil, 1920, 02.10.2022
Ciência e sociedade
Cientistas russos detectam asteroide se aproximando da Terra (IMAGENS)
O asteroide estará a cerca de 2,3 milhões de quilômetros da Terra durante sua aproximação máxima, cerca de seis vezes a distância média entre a Lua e nosso planeta, não demonstrando ser um problema.
A agência espacial norte-americana prevê que nosso planeta não enfrente o perigo de uma queda de asteroide cataclísmica por pelo menos os próximos 100 anos. No entanto, os cientistas têm notado a existência de vários asteroides somente após passarem a Terra, demostrando os atuais limites da detecção.
Em 26 de setembro a NASA concluiu com sucesso a primeira colisão entre uma sonda espacial e um asteroide, de forma a testar o primeiro sistema de proteção planetário no caso de um possível impacto com a Terra.
Em 2021, como parte do trabalho de prevenção de colisões, mais de 100 astrônomos de 18 países, incluindo cientistas da NASA, participaram de um exercício para preparar a comunidade internacional para um hipotético impacto de asteroides.

 FONTE:https://sputniknewsbrasil.com.br/20221031/asteroide-quase-tao-grande-como-maior-arranha-ceus-da-terra-passara-no-fim-do-halloween-25673337.html

Após extenso estudo, cientistas revelam como soa o campo magnético da Terra


Simulação do campo magnético da Terra - Sputnik Brasil, 1920, 31.10.2022
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O trabalho dos cientistas foi possível graças aos dados fornecidos pela missão Swarm da Agência Espacial Europeia (ESA, na sigla em inglês), lançada há quase uma década para estudar o campo magnético do nosso planeta.
Gerado pela rotação de uma enorme massa de ferro líquido no núcleo do nosso planeta e invisível a olho nu, o campo magnético da Terra é vital para a existência da vida humana, pois fornece proteção contra a radiação cósmica nociva.
E enquanto se pode ver como as partículas solares interagem com esse campo magnético – um fenômeno conhecido como aurora boreal – uma equipe de cientistas da Universidade Técnica da Dinamarca agora revela como soa essa interação.
Conforme divulgado pela Space, para realizar esse feito, a equipe usou dados fornecidos por fontes como os satélites Swarm da ESA, lançados em 2013 para estudar o campo magnético da Terra, e "usaram esses sinais magnéticos para manipular e controlar uma representação sônica da área central", disse o apoiador do projeto e músico Klaus Nielsen.
Asteroide - Sputnik Brasil, 1920, 31.10.2022
Ciência e sociedade
Asteroide quase tão grande como maior arranha-céu da Terra passará no fim do Halloween
Na semana passada, a equipe também permitiu às pessoas que visitavam a praça Solbjerg em Copenhague ouvir esses sons, instalando um sistema de mais de 30 alto-falantes, com cada um desses dispositivos representando "um local diferente na Terra" e mostrando "como nosso campo magnético flutuou nos últimos 100.000 anos", explicou Nielsen em um comunicado compartilhado no site da ESA.
"O estrondo do campo magnético da Terra é acompanhado por uma representação de uma tempestade geomagnética que resultou de uma erupção solar em 3 de novembro de 2011 e, de fato, parece bastante assustador", acrescentou.
FONTE:https://sputniknewsbrasil.com.br/20221031/apos-extenso-estudo-cientistas-revelam-como-soa-o-campo-magnetico-da-terra-25674130.html

Lançamento do último módulo da estação espacial da China


Astronautas chineses Jing Haipeng (à esquerda) e Chen Dong no laboratório espacial Tiangong 2 - Sputnik Brasil, 1920, 31.10.2022
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A China lançou o último módulo experimental para concluir a construção de sua estação espacial, a Tiangong, que orbitará a Terra como um posto avançado espacial e laboratório de pesquisa.
Carregado por um foguete de carga pesada Longa Marcha 5B, o módulo, chamado Mengtian e que tem 23 toneladas, decolou do Centro de Lançamento de Satélites de Wenchang, na ilha de Hainan, no sul da China. Espera-se que ele se encaixe no módulo central da Tiangong algumas horas após a decolagem.
A construção da estação começou oficialmente em 29 de abril de 2021 e deve terminar ainda neste ano. Em 2025, será lançado o módulo astrofísico independente Xuntian, que periodicamente será acoplado à estação para sua manutenção.
A estação espacial Tiangong ficará pronta após os devidos encaixes dos módulos.
No total, a primeira fase da estação vai contar com três módulos. O primeiro e central, chamado Tianhe, foi colocado em órbita em abril do ano passado.
Apresentando o Módulo de Laboratório Mengtian
17,9 metros de comprimento
4 metros de largura
~23 toneladas
~110 metros cúbicos de volume pressurizado
~32 metros cúbicos habitáveis
4 submódulos: Pressurizado, Cargas Úteis, Câmara de Carga e Módulo de Serviço
não inferior a 10 anos de vida útil e pode ser prorrogado
Em abril deste ano, três astronautas que estavam trabalhando no Tianhe voltaram à Terra. Zhai Zhigang, Wang Yaping e Ye Guangfu ficaram em órbita durante 182 dias, um recorde nacional.
Wang também fez história em novembro de 2021, quando se tornou a primeira mulher chinesa a realizar uma caminhada espacial, já tendo sido a primeira mulher a servir na estação.
O trio de astronautas realizou diversos trabalhos na estação espacial chinesa, como a instalação de um braço externo, a configuração de câmeras e a realização de testes.
Além disso, a China já começou a fazer experimentos com sementes no espaço. Após serem cultivadas na espaçonave tripulada do voo Shenzhou 13 por seis meses, 12 mil sementes retornaram à Terra em 16 de abril.
Representação em 3D da estação espacial Tiangong com todos os módulos instalados - Sputnik Brasil, 1920, 24.05.2022
Ciência e sociedade
China inicia experimentos com sementes espaciais para criação de novos exemplares na Terra
Com isso, os chineses esperam gerar novas espécies de plantas, a partir de mutações induzidas nas sementes pelas condições espaciais.
Sementes e microrganismos de 88 organizações científicas do país foram levadas ao espaço para experimentos.

Programa espacial chinês segue avançando

A China desenvolve ativamente seu programa espacial e tem feito avanços significativos ao longo dos últimos anos. Em abril, o país asiático deu início à construção da estação espacial Tiangong e lançou com sucesso o módulo central Tianhe. A estação foi projetada para acomodar até três astronautas — podendo subir para seis durante mudanças de tripulação.
O programa espacial chinês também tornou a China o terceiro país a enviar uma sonda à Lua; apenas EUA e União Soviética tinham conseguido o feito. A China também planeja construir um protótipo de estação científica na Lua até 2030 e enviar missões de pesquisa ao satélite natural da Terra nos próximos anos.
Nesta foto 24 de abril de 2021 disponibilizada pela NASA, a cápsula da SpaceX Crew Dragon se aproxima da Estação Espacial Internacional para atracar - Sputnik Brasil, 1920, 03.10.2022
Ciência e sociedade

SpaceX agradece à Rússia e à NASA pela oportunidade de levar astronautas à EEI 

FONTE:https://sputniknewsbrasil.com.br/20221031/video-mostra-lancamento-do-ultimo-modulo-da-estacao-espacial-da-china--25675748.html

Após vitória de Lula, Noruega retomará recursos bilionários para Amazônia


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Menos de 24 horas depois da vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para mais um mandato como presidente, o governo da Noruega anunciou que retomará a ajuda financeira ao Brasil para reduzir o desmatamento no país.
De acordo com fontes em Oslo, consultadas pelo colunista Jamil Chade, o governo escandinavo enviará um negociador, ou até mesmo uma equipe, para tratar com Lula o restabelecimento da cooperação para garantir que as taxas de desmatamento sejam reduzidas.
Na imprensa norueguesa, o ministro do Clima e Meio Ambiente, Espen Barth Eide, também confirmou a notícia: "Conversaremos com a equipe dele (Lula) para preparar as formalidades e montar uma estrutura de gestão".
"Há quantias significativas congeladas em uma conta no Brasil no Fundo Amazônia, que podem ser desembolsadas rapidamente", disse Barth Eide, em entrevista ao NTB.
Os dois países tinham estabelecido o maior fundo de cooperação internacional durante o governo Lula, com mais de US$ 1 bilhão (R$ 5,3 bilhões), administrado pelo BNDES e instituições em Oslo.
Desmatamento voltou a crescer na Amazônia nos dois últimos anos - Sputnik Brasil, 1920, 18.10.2022
Notícias do Brasil
Área devastada na Amazônia neste ano corresponde a 8 vezes a cidade do Rio
Mas, em 2019, o governo de Jair Bolsonaro colocou novas exigências que acabaram levando a Noruega e a Alemanha a encerrar a transferência de recursos.
Além disso, fundos soberanos suspenderam investimentos no país. Nos fóruns internacionais, o Brasil passou a ser visto como parte do problema climático do planeta. Uma espécie de "criminoso ambiental".
"Houve um aumento maciço do desmatamento sob Bolsonaro, o que tem sido muito preocupante. Todo mundo preocupado com o clima viu dolorosamente como ele desrespeitou completamente os antigos acordos e promessas", disse Barth Eide.
Lula usou seu primeiro discurso para deixar claro que a questão ambiental está entre suas prioridades.

"O Brasil está pronto para retomar o seu protagonismo na luta contra a crise climática, protegendo todos os nossos biomas, sobretudo a floresta Amazônica", disse ele ontem (30) ao público após a vitória.

Palavras do Ministro do Meio Ambiente Joaquim Leite, 4 de abril de 2022 - Sputnik Brasil, 1920, 26.09.2022
Notícias do Brasil
'Dá para explorar petróleo na foz do Amazonas e garantir proteção', diz Ministro do Meio Ambiente

FONTE:https://sputniknewsbrasil.com.br/20221031/apos-vitoria-de-lula-noruega-retomara-recursos-bilionarios-para-amazonia-25675183.html

Caminhoneiros bolsonaristas fecham rodovias em 11 estados e no DF..

 Caminhoneiros bolsonaristas fecham rodovias em 11 estados e no DF... 

Após a derrota do presidente Jair Bolsonaro (PL) nas urnas, caminhoneiros bolsonaristas fecharam trechos de rodovias em pelo menos onze estados e no Distrito Federal para contestar o resultado das eleições. Segundo um balanço divulgado pela PRF (Polícia Rodoviária Federal) nesta manhã, há 70 bloqueios registrados no: 

Rio Grande no Sul; 

Santa Catarina; 

Paraná; 

Minas Gerais; 

São Paulo; 

Rio de Janeiro; 

Mato Grosso; 

Mato Grosso do Sul; 

Rondônia; 

Pará; 

Goiás; 

Distrito Federal.  

FONTE:  https://noticias.uol.com.br/eleicoes/2022/10/30/caminhoneiros-bolsonaristas-fecham-estrada-em-mt-nao-vamos-aceitar.htm?cmpid=copiaecola

Eleito para 3º mandato em disputa acirrada: quem é Lula, o próximo presidente do Brasil

Presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT), durante debate em 28 de outubro de 2022 - Sputnik Brasil, 1920, 30.10.2022

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Especiais
Foram 60.343.142 votos com 99,99% das urnas apuradas até por volta de 22h deste domingo (30) que selaram como eleito o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), para seu terceiro mandato presidencial que começará em 1º de janeiro de 2023. Uma votação recorde jamais antes obtida.
O presidente eleito de esquerda derrotou seu rival de direita, Jair Bolsonaro (PL), que tentava a reeleição e obteve 58.205.255 votos. Disputa apertada, portanto, já que pouco mais de dois milhões de votos separaram os adversários.
A Sputnik Brasil remonta a trajetória de Lula, um dos líderes políticos mais importantes e influentes do país, eleito hoje (30), pela maioria do povo brasileiro.

A infância no Nordeste e a migração para São Paulo

De torneiro mecânico a presidente do Brasil e doutor honoris causa por 36 universidades do mundo, o pernambucano Luiz Inácio Lula da Silva (PT), de 77 anos, nasceu na pequena Garanhuns, em um terreno que hoje é da cidade de Caetés.
O penúltimo filho de Eurídice Ferreira de Melo, a Dona Lindu, e de Aristides Inácio da Silva ganhou o apelido Lula ainda na infância.
Dona Lindu e seu Aristides eram lavradores. Cultivavam uma roça de subsistência para alimentar a família no agreste nordestino do Brasil. Lula ainda era um bebê de poucos meses quando seu pai migrou para Santos, em São Paulo, para trabalhar como transportador de cargas no porto da cidade — um dos maiores do país.
Aristides retornaria para o interior do Nordeste para rever a família cinco anos depois. Levava consigo dois meninos, que depois revelou serem seus filhos com uma prima, com a qual constituíra uma nova família. A visita marcaria a gravidez do último filho de Dona Lindu.
Os primeiros anos da infância de Lula foram marcados por muita dificuldade e fome. Os oito filhos eram mantidos basicamente pelo trabalho da mãe na pequena lavoura.
Lula na réplica da casa onde morou na infância com sete irmãos e Dona Lindu, em julho de 2022 - Sputnik Brasil, 1920, 30.10.2022
Lula na réplica da casa onde morou na infância com sete irmãos e Dona Lindu, em julho de 2022
"Eu nasci em Caetés e eu fui comer pão pela primeira vez aos sete anos de idade. Eu vim para São Paulo 70 anos atrás para não morrer de fome, não foram poucas as vezes que minha mãe não tinha comida para colocar no fogo. Eu olhava no semblante da minha mãe, e ela nunca perdia a esperança. Ela falava: 'Hoje não tem, mas amanhã vai ter'. E essa crença… Essa crença me formou", declarou, em uma fala emocionada ao visitar a réplica da pequena casa onde morava a família, em julho.
Foi em dezembro de 1952 que a família deixou o Nordeste, em uma viagem de 13 dias a bordo de um caminhão "pau de arara", rumo ao estado de São Paulo, no rico Sudeste, segundo o Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil (Cpdoc), da Fundação Getulio Vargas (FGV). Quando chegaram em Santos, descobriram a nova família do pai. Devido às dificuldades de Dona Lindu em sustentar a família em uma cidade grande, os filhos saíram à procura de trabalho. Lula trabalhou com comércio ambulante enquanto cursava o primário aos sete anos de idade.
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) durante ato em Teresina, no Piauí - Sputnik Brasil, 1920, 30.10.2022
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Lula é eleito presidente e terá 3º mandato
A família se mudou para a cidade de São Paulo no ano seguinte e fixou residência em um bairro da classe operária. Lula estudou até a quinta série do ensino fundamental. Seu primeiro emprego fixo foi aos 12 anos, em uma tinturaria. Aos 14, começou a trabalhar em uma fábrica de parafusos, onde ficou pelos quatro anos seguintes. Alternou o ofício com um curso de torneiro mecânico no Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai).
Trocou a fábrica de parafusos por uma metalúrgica, onde trabalhava 12 horas por dia diante de um torno. Em uma madrugada, um parafuso de uma prensa quebrou. Ele fez uma peça nova e, quando a estava instalando, seu colega que operava a máquina cochilou e a soltou. Lula teve o dedo mínimo decepado — o que se tornaria sua insígnia política, usada inclusive pelos seus detratores.
Luiz Inácio Lula da Silva (PT), diante de apoiadores (foto de arquivo) - Sputnik Brasil, 1920, 30.10.2022
Luiz Inácio Lula da Silva (PT), diante de apoiadores (foto de arquivo)
Em 1965, uma recessão generalizada foi a causa de um alto índice de desemprego no Brasil, que atingiu Lula e quase todos os seus familiares. Após seis meses, conseguiu trabalho em uma metalúrgica em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista, que viria a se tornar seu berço político.
Foi seu irmão, cujo apelido é Frei Chico, militante do Partido Comunista Brasileiro (PCB), quem o induziu a dar os primeiros passos na vida política. Lula entrou pela primeira vez no Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo em 1967. Ali constituiu uma carreira de líder sindical, até chegar à presidência da associação de trabalhadores, em 1975 — mesmo ano em que seu irmão que lhe abriu as portas do sindicato foi arbitrariamente preso e torturado pela ditadura militar.
A prisão, aliada à rotina de cursos, debates e viagens como presidente do sindicato, lhe acendeu a questão da política e do autoritarismo do regime. Uma campanha de reposição salarial de 34,1% dos metalúrgicos, que colocava em xeque as políticas econômicas da ditadura, o colocou nas manchetes e capas dos jornais, nas revistas e na televisão. Ali, Lula nascia politicamente e ganhava projeção nacional.
Bolsonaro e Lula no último debate presidencial na TV Globo em 28 de outubro de 2022 - Sputnik Brasil, 1920, 30.10.2022
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Do novo sindicalismo à assembleia constituinte

Lula demonstrava independência dos metalúrgicos em relação ao governo ou a partidos políticos nas entrevistas à imprensa. Declarava que eram necessárias novas bases para as relações trabalhistas no Brasil, um discurso que aglutinava trabalhadores e setores do sindicalismo nacional que estavam dispostos a aprimorar as estruturas nas relações de trabalho. Posteriormente, sociólogos denominariam essa etapa de novo sindicalismo.
As greves do ABC tornaram Lula ainda mais conhecido, com enormes assembleias reunindo cerca de 80 mil metalúrgicos no estádio municipal de Vila Euclides, em São Bernardo. A repressão da ditadura militar veio em igual medida, a ponto de Lula encarar sua primeira prisão, em 1980, com outros dirigentes sindicalistas. Ele foi processado e condenado com base na Lei de Segurança Nacional, mas posteriormente absolvido pelo Superior Tribunal Militar (STM). Devido a isso, afastou-se das atividades sindicais.
À época, já nascia nele a percepção de que não bastava apenas o sindicato para resolver os problemas dos trabalhadores do Brasil.
Lula em uma das greves do ABC Paulista, em março de 1979 - Sputnik Brasil, 1920, 30.10.2022
Lula em uma das greves do ABC Paulista, em março de 1979
Após diversos encontros em estados do país, em 14 de outubro de 1979, nascia oficialmente o Partido dos Trabalhadores (PT). Em 10 de janeiro de 1980, a primeira versão do manifesto do PT foi lida em convenção. No mês seguinte, 500 pessoas se reuniram no colégio Sion, em São Paulo, para assiná-lo como fundadoras do partido. Com a gradual redemocratização do país, Lula se candidatou ao governo do estado de São Paulo, em 1982. Sob o lema "Trabalhador vota em trabalhador", a campanha se concentrou na ascensão da classe trabalhadora ao poder. Embora tenha se sobressaído nos debates, ficou na quarta posição entre os candidatos, com 1.144.648 de votos.
Em agosto de 1983, o PT adotou a ideia de uma campanha vultosa por eleições diretas para a Presidência da República, até então sob o comando de generais da ditadura militar.
Uma convocação assinada pelo PT, PMDB, Partido Democrático Trabalhista (PDT), Central Única dos Trabalhadores (CUT), Conselho das Classes Trabalhadoras (Conclat) e instituições da sociedade civil organizada trouxe o primeiro comício na praça em frente ao estádio do Pacaembu, em São Paulo. Cerca de 20 mil pessoas estavam presentes.
Passeata das Diretas Já, movimento pelo restabelecimento da eleição direta para a Presidência da República, em São Paulo, em 25 de abril de 1984 - Sputnik Brasil, 1920, 30.10.2022
Passeata das Diretas Já, movimento pelo restabelecimento da eleição direta para a Presidência da República, em São Paulo, em 25 de abril de 1984
A pressão seguiu ao longo dos anos nas ruas do país, com aliados como Tancredo Neves, Ulysses Guimarães e Leonel Brizola encampando os atos e sob forte apoio popular.
Em novembro de 1986, Lula, que concorria a uma vaga de deputado na assembleia constituinte, foi eleito com 651.763 votos, número que lhe cedeu o recorde de deputado mais votado do Brasil. Foi o líder do PT na Câmara durante o período que gerou e consolidou a Constituição Federal de 1988, o grande marco do Estado democrático de direito do Brasil contemporâneo.

As sucessivas derrotas em 3 campanhas à Presidência da República

Aprovada a Carta Magna em outubro de 1988, selando o período de redemocratização do Brasil, Lula foi indicado pela assembleia do PT como candidato à Presidência da República.
"Seu programa de campanha centrava-se na superação da crise econômica paralelamente à superação das marcantes desigualdades sociais características da sociedade brasileira. Eram pontos enfatizados: uma reforma agrária ampla, a suspensão do pagamento da dívida externa e a instalação de uma auditoria da dívida, o alongamento do perfil da dívida interna, a contenção dos lucros das empresas através de controle de preços, a reforma tributária com combate à sonegação, e o aumento real progressivo dos salários, puxado por um aumento progressivo do salário mínimo, que em cinco anos deveria corresponder a quatrocentos dólares", aponta o registro de Lula no Cpdoc.
Embora tenha realizado comícios que chegaram a ter 250 mil pessoas, outro candidato se destacou na eleição: Fernando Collor de Mello (PRN), novato na política tal como seu partido, que usava um discurso moralista e se descrevia como o "caçador de marajás" (funcionários públicos extrarremunerados). Obteve 25,11% de votos, enquanto Lula chegou a 14,16%, encaminhando a disputa para o segundo turno, que foi marcado por uma edição positiva a Collor no debate final do Jornal Nacional, da TV Globo, que registrava a maior audiência do país durante o horário nobre. A cobertura negativa também era amplificada por outros veículos de comunicação.
A queda do Muro de Berlim, em 9 de novembro de 1989, cristalizou o discurso anticomunista de Collor, que venceu com 42,75% dos votos, contra 37,86% de Lula.
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Após o término de seu mandato de deputado, Lula não disputou cargos eletivos e, em 1993, era apontado como favorito para a disputa presidencial do ano seguinte. Em 1994, porém, o então ministro da Fazenda do governo de Itamar Franco, Fernando Henrique Cardoso, lançou o Plano Real, que estabilizava a moeda (e a inflação exorbitante do país). A retomada do poder de compra dos trabalhadores de baixa renda, com um frango inteiro vendido a R$ 1, trouxe a derrota para Lula já em primeiro turno: FHC venceu com uma vantagem de 54,3% dos votos válidos, contra 27% de Lula.
Uma emenda constitucional aprovada na gestão FHC em 1997 (sob denúncia do jornal Folha de S.Paulo, de compra de votos dos parlamentares) lhe garantiu o direito de concorrer à reeleição à Presidência da República. Lula, que inicialmente hesitou em concorrer, marcou seu discurso pelo tom da manutenção da estabilidade proporcionada pela nova moeda, o real, mas com preocupação com as causas sociais e populações mais vulneráveis. Mesmo com um discurso modulado, perdeu as eleições de 1998 em primeiro turno, ao obter 37,71% dos votos válidos, contra 53,06% de FHC.

Lula presidente

Marcado pelo neoliberalismo, o governo de FHC ia mal em sua segunda gestão, com desemprego alto, fome avassaladora e inflação considerável. A crise dos apagões e a recorrência a empréstimos do Fundo Monetário Internacional (FMI) traziam perspectivas positivas para Lula, que costurou uma profícua aliança com o empresário José Alencar (PL), candidato a vice-presidente na chapa.
A imagem conciliatória e menos combativa lhe rendeu o apelido de "Lulinha Paz e Amor", pregando o apaziguamento das relações entre empresários e trabalhadores.
Ainda assim, venceu as eleições contra o adversário José Serra (PSDB) apenas no segundo turno, no qual obteve 61,27% dos votos válidos.
Lula se tornou o primeiro operário eleito presidente da República.
Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao lado de seu antecessor, Fernando Henrique Cardoso (PSDB), após receber a faixa presidencial no parlatório do Palácio do Planalto, em Brasília (DF), em 1º de janeiro de 2003 - Sputnik Brasil, 1920, 30.10.2022
Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao lado de seu antecessor, Fernando Henrique Cardoso (PSDB), após receber a faixa presidencial no parlatório do Palácio do Planalto, em Brasília (DF), em 1º de janeiro de 2003

2003 a 2010: a era Lula

As desconfianças em relação à gestão Lula se dissiparam quando ele anunciou um tucano como presidente do Banco Central: Henrique Meirelles, ex-diretor-geral do Banco de Boston. Nomes do agronegócio foram nomeados para ministérios importantes, o que demonstrava um aceno para as exportações e commodities.
Mas a criação do programa Fome Zero, que em seguida se desdobraria para o Bolsa Família, se demonstrou um dos grandes motores da economia interna do país, com a inclusão de 45 milhões de pessoas em situação de extrema pobreza no comércio nacional.
A política externa, conduzida pelo diplomata de carreira Celso Amorim, dava pistas de uma maior independência do imperialismo dos Estados Unidos. Havia a pretensão, que até hoje existe no enclave petista, da conquista de uma cadeira permanente no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU).
O então ministro das Relações Exteriores do Brasil, Celso Amorim, ao lado do então presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em evento na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP), em 29 de junho de 2010 - Sputnik Brasil, 1920, 04.08.2022
Notícias do Brasil
'Destruição': Celso Amorim critica governo Bolsonaro e aponta metas para política externa do Brasil
O céu de brigadeiro petista ganhou contornos nebulosos com o escândalo do mensalão, em 2005, quando Roberto Jefferson disse à Folha de S.Paulo que deputados recebiam uma mesada de R$ 30 mil para que votassem a favor do governo. O primeiro escalão da gestão petista sofreu baixas e Lula chegou a fazer um pronunciamento à nação.
Alegou não ter "nenhuma vergonha de dizer ao povo brasileiro que nós temos que pedir desculpas. O PT tem que pedir desculpas. O governo, onde errou, tem que pedir desculpas".
Mas o mensalão não atingiu a imagem de Lula, que pleiteou a reeleição em 2006. Na campanha eleitoral, estava nítido que as pessoas não haviam associado sua imagem ao caso. O Bolsa Família, programa de renda e inclusão, era um sucesso e turbinava o comércio interno do Brasil. Lula venceu em segundo turno, com 60,83% dos votos válidos, ou 58 milhões de votos, contra Geraldo Alckmin (PSDB), hoje seu vice.
Em sua segunda gestão, Lula (com Celso Amorim, então chanceler) criou o BRICS (grupo que reúne, além do Brasil, Rússia, Índia, China e, posteriormente, África do Sul), em 2008.
O Brasil passou incólume pela grave crise econômica mundial que assolou o mundo no mesmo ano. Na época, Lula fez uma afirmação que circulou globalmente.
"Lá [nos EUA], ela é um tsunami; aqui, se ela chegar, vai chegar uma marolinha que não dá nem para esquiar."
Celso Amorim, ex-ministro das Relações Exteriores e da Defesa, durante lançamento de seu livro Relações de Confiança: O Brasil na América do Sul, em 22 de julho de 2022 - Sputnik Brasil, 1920, 03.08.2022
Notícias do Brasil
Celso Amorim: Lula foi responsável não só pela projeção como pela criação do BRICS
Entre outros feitos está o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), conduzido pela então ministra de Minas e Energia, Dilma Rousseff, que o sucederia pelos dois mandatos seguintes como presidenta da República. Com distribuição de renda, extinção da fome e demais políticas, Lula deixou o cargo com 83% de aprovação popular, elegendo Dilma, sua afilhada política.
Ao longo dos dois mandatos e mesmo depois de encerrá-los, Lula ganhou o título de doutor honoris causa de 36 universidades ao redor do mundo, sobretudo pelo intenso combate à miséria no Brasil, que retirou o país do Mapa da Fome mundial em 2014. Enquanto era presidente, Lula se recusou a receber os títulos, aceitando-os apenas quando deixou o cargo.

Dilma, protestos, Lava Jato e impeachment

Embora bem avaliada em primeiro mandato, a primeira gestão de Dilma Rousseff foi marcada pelos protestos de junho de 2013, que começaram com um pedido de redução de R$ 0,20 nos preços das passagens de São Paulo, mas que, no decorrer dos três anos seguintes, tomaram a forma e os anseios da direita e da extrema-direita do Brasil.
No ano seguinte, a pupila política de Lula venceria as eleições com 51% dos votos válidos no segundo turno contra o candidato Aécio Neves (PSDB), que contestou o resultado. Também no fim de 2014, Sergio Moro, um juiz do Paraná, iniciava a chamada Operação Lava Jato, que investigava indícios de corrupção na Petrobras, maior estatal do país.
Lula, que havia anunciado aposentadoria da política, voltou à cena em 2015 para tentar costurar uma salvação política de Dilma no Congresso Nacional, contra quem pipocavam as manifestações de direita.
A ex-presidente Dilma Rousseff discursa na Câmara dos Deputados - Sputnik Brasil, 1920, 30.10.2022
A ex-presidente Dilma Rousseff discursa na Câmara dos Deputados
Em março do ano seguinte, uma operação da Polícia Federal e do Ministério Público Federal, autorizada por Moro, foi deflagrada contra o ex-presidente, que foi alvo de busca e apreensão e condução coercitiva para prestar depoimento. Segundo a denúncia, Lula teria obtido vantagens e reformas em um apartamento e em um sítio que não estavam em seu nome, mas eram de sua propriedade, o que jamais foi legalmente comprovado.
O impeachment de Dilma Rousseff já era uma ideia concretizada entre congressistas e se tornou realidade em 17 de abril de 2016, quando ela foi afastada pela Câmara dos Deputados e alvo de uma investigação do Senado. Lula, por sua vez, foi enquadrado em cinco ações penais pelo juiz Sergio Moro.
Em 31 de agosto de 2016, por 61 votos a 20, o Senado brasileiro afastou Dilma Rousseff da Presidência da República, deixando o cargo a Michel Temer (MDB), seu vice, que governou até o fim de 2018. No decorrer das acusações contra Dilma, Lula sempre ficou ao lado dela.

Morte de esposa e parentes, o cárcere e a inocência

Mulher de Lula desde 1974 e uma das fundadoras do PT, a ex-primeira-dama Marisa Letícia Lula da Silva morreu em 3 de fevereiro de 2017, vítima de um derrame cerebral. À época, parentes disseram que ela estava muito estressada e se preocupava com as acusações feitas contra sua família, além de temer uma iminente prisão de seu marido.
Em 7 de abril de 2018, ano de eleições, quando Lula liderava as pesquisas de intenção de voto, o juiz Sergio Moro decretou a prisão do ex-presidente, que se refugiou em São Bernardo do Campo, mesmo reduto onde iniciou sua carreira política, e de lá fez um discurso antes de se entregar às autoridades.
"Os poderosos podem matar uma, duas ou três rosas. Mas jamais conseguirão deter a chegada da primavera", disse Lula, em fala que emocionou seus apoiadores.
Lula permaneceu preso por 580 dias.
Luiz Inácio Lula da Silva (PT) é carregado pelo povo em São Bernardo do Campo (SP) pouco antes de se entregar ao ex-juiz Sergio Moro, em 7 de abril de 2018 - Sputnik Brasil, 1920, 30.10.2022
Luiz Inácio Lula da Silva (PT) é carregado pelo povo em São Bernardo do Campo (SP) pouco antes de se entregar ao ex-juiz Sergio Moro, em 7 de abril de 2018
No período do cárcere, Arthur, seu neto de sete anos, e seu irmão Genival Inácio da Silva, de 79 anos, conhecido como Vavá, morreram. Lula foi ao velório da criança, mas não conseguiu se despedir do outro ente querido.
Em 2019, contudo, uma série de reportagens do site The Intercept abalou o Brasil. Mensagens trocadas entre autoridades da Lava Jato mostraram a parcialidade de Moro e de promotores de Justiça que o acusaram, caso de Deltan Dallagnol. Tanto o ex-juiz Moro quanto o ex-procurador foram candidatos nas eleições de 2022.
Em 8 de março de 2021, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Edson Fachin anulou as condenações de Lula, o que foi posteriormente confirmado em plenário por todos os ministros. Em seguida foi anunciado que Lula recuperou seus direitos políticos, se tornou elegível, passando a ser, neste domingo (30), novamente o presidente eleito da República Federativa do Brasil.

FONTE:https://sputniknewsbrasil.com.br/20221030/eleito-para-3-mandato-em-disputa-acirrada-quem-e-lula-o-presidente-eleito-do-brasil-25663150.html

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